Governo Provincial da Lunda-Norte
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Presidente pede melhoria no ensino da Língua Portuguesa


Numa intervenção durante o acto de tomada de posse dos novos ministros da Educação, Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e do Comércio, o Titular do Poder Executivo reconheceu haver um manifesto défice no ensino da Língua Portuguesa.



João Lourenço disse esperar que a nova ministra da Educação, Luísa Maria Alves Grilo, seja capaz de trabalhar com os quadros do sector para melhorar a qualidade de ensino.



Por enquanto, a preocupação do Presidente da República passa pela melhoria, não só da qualidade do ensino em si, mas, também, do ensino da Língua Portuguesa.



“A Língua Portuguesa é a base para uma boa aprendizagem de outras disciplinas. Estamos com défice de domínio da Língua Portuguesa, que é a língua usada pelo nosso país para seleccionar outras matérias. Agradeço que preste atenção particular a isso e aumente o nível de exigência em todo o sistema de ensino”, salientou, na cerimónia decorrida no Salão Nobre do Palácio Presidencial da Cidade Alta, já a registar o cumprimento às regras de prevenção do Covid-19.



Luísa Maria Alves Grilo tomou posse no cargo de ministra da Educação, em substituição de Ana Paula Tuavanje Elias, exonerada na segunda-feira 16.



Ainda na quarta-feira, 18, o Presidente da República conferiu, igualmente, posse a Teresa Rodrigues Dias e Victor Fernandes, nos cargos de ministros da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e do Comércio, respectivamente. Teresa Dias substituiu Jesus Maiato, enquanto Victor Fernandes, nomeado na terça-feira, 17, sucedeu à Joffre Van-Dúnem.



Pedro José Filipe e Maria Cândida Teixeira foram empossados nos cargos de secretário de Estado do Trabalho e Segurança Social (em substituição de Manuel de Jesus Moreira) e de embaixadora de Angola em Cuba, respectivamente.



Antes de conferir posse aos novos membros do Executivo, o Presidente da República lembrou que se tratava da primeira cerimónia realizada numa altura de combate e prevenção ao Covid-19.



“Não há abraços. Vamos felicitá-los apenas com palavras, sem grandes afectos físicos. A situação impõe que assim seja e que sejamos os primeiros a dar o exemplo”, realçou o Chefe de Estado, que endereçou votos de bom trabalho e sucesso nas funções que passam a desempenhar a partir de hoje os novos membros do Executivo.



Ministra assume o desafio



Em declarações à imprensa, no termo da cerimónia de tomada de posse, a nova ministra da Educação assumiu o compromisso de fazer com que a qualidade de ensino, sobretudo da Língua Portuguesa, melhore. Sublinhou que um dos pressupostos para tal passa por ter bons professores.



“Estamos conscientes de que temos problemas sérios em termos de domínio da língua de comunicação oficial a nível da escrita e mesmo da oralidade. Vamos assumir o desafio e ver o que podemos fazer, pois a qualidade implica outros factores. Não se pode alcançar a qualidade sem bons professores. É o primeiro factor”, disse.



O segundo factor, frisou, passa pela criação de infra-estrutura que contribuam para o bom sucesso do ensino. Posteriormente, acrescentou, tem de se ver o número de alunos por turma, pois, actualmente, muitas delas, estão sobrecarregadas. A ministra prometeu trabalhar e ver que estratégias a adoptar, já nos próximos dias.



Quanto às reformas no sector, Luísa Grilo considerou que a que terminou recentemente já foi avaliada e indicou pontos de estrangulamento, um dos quais é o problema do domínio da Língua Portuguesa. Segundo a ministra, muitas crianças saem do ensino primário sem dominar a escrita fundamental. “Este é um dos indicadores que a reforma mostrou que fracassou”, declarou.



Mais atenção à formação profissional e ao auto-emprego



O Presidente da República quer do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS) uma maior atenção à formação profissional da juventude, com vista à promoção do auto-emprego.



O Titular do Poder Executivo defendeu, também, ser necessário que o MAPTSS olhe de modo rigoroso para as questões ligadas ao controlo dos activos e património do sector.



“Ao MAPTSS, gostaria de dizer que esperamos da senhora ministra que preste maior atenção à formação profissional, tendo em vista a necessidade de garantirmos o emprego e auto-emprego para que os nossos jovens, uma vez preparados e formados, possam ser também pequenos empregadores”, disse.



João Lourenço reconheceu que o tema emprego está na ordem do dia, sublinhando que a nova ministra tem uma palavra a dizer. A Teresa Dias, o Presidente pediu maior atenção no controlo do património e dos activos do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS).



Em declarações à imprensa, a ministra reconheceu que há algum trabalho feito no domínio da formação profissional, auto-emprego e controlo dos activos e património. O que se impõe, neste momento, disse, é fazer um pequeno diagnóstico para aferir quais serão as melhores soluções neste âmbito.



Teresa Dias assegurou que o MAPTSS é um órgão transversal a outros da Administração Central do Estado e, nesta perspectiva, entende que devem ser traçadas prioridades para aferir quais os melhores caminhos. Deixou, entretanto, claro que todos estes caminhos deverão conduzir à valorização dos recursos humanos, que considerou “pedra preciosa que um país pode ter”.



“O que encontrarmos bem feito, vamos dar continuidade e o que encontramos mal feito, vamos tratar de realinhar às ferramentas legais e às regras de compliance, que hoje são tidas a nível internacional”, afirmou.



Produção interna



Ao novo ministro do Comércio, Victor Fernandes, o Presidente da República lembrou que o país precisa de estimular a produção interna e que para isso é necessário que haja um perfeito casamento entre os sectores produtivo e do comércio.



“O Comércio tem de estar perfeitamente alinhado com aqueles que produzem bens e serviços no país, isto é, com a Indústria e Agricultura, que são fundamentais... Para que haja aumento da produção, é preciso que o comércio não facilite tanto a importação de bens que podem ser produzidos localmente”, disse.



Victor Fernandes reconheceu que o país é fértil, o que justifica a necessidade de ter produção nacional suficiente, cabendo ao sector colocá-la à disposição para a rede de empresários que, por sua vez, farão chegar os bens à população.



“O desafio é velar pela distribuição dos produtos do campo pela classe empresarial ao longo de todo o país, dando cumprimento ao Decreto 23/19, que visa criar condições para que a produção nacional que existir passe pela rede que o Ministério do Comércio tem obrigação de gerir, numa estreita parceria com o sector empresarial”, disse o novo ministro, para quem o desafio é garantir que o país tenha segurança alimentar.



Embaixadora em Cuba



À nova embaixadora de Angola em Cuba, João Lourenço lembrou que aquele país dispensa comentários e pediu que a agora diplomata “concentre o seu trabalho no reforço das relações de amizade e cooperação entre os dois países”.



“Votos de sucesso, embora não seja fácil. A conjuntura não está muito favorável. Mas, costuma-se a dizer que os grandes homens, com H, costumam a abraçar grandes desafios. Quanto maiores forem os desafios, maior é o valor das pessoas que se predispõem a enfrentar os mesmos”, disse.



Jornal de Angola 



 



 



 



 



 



 



 


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