Governo Provincial da Lunda-Norte
Governo

Presidente discursa na 1ª edição da Bienal de Luanda


Eis, em versão integral, o discurso proferido no acto.



-Excelência Hage Geingob, Presidente da República da Namíbia;



-Excelência Ibrahim Boubacar Keita, Presidente da República do Mali;



-Excelência Moussa Faki Mahamat, Presidente da Comissão da União Africana;



-Excelência Audrey Azoulay, Directora Geral da UNESCO;



-Altos Dignitários dos Governos dos países participantes,



-Respeitados membros da sociedade civil, da comunidade artística e científica, do sector privado e das organizações internacionais;



-Minhas senhoras, meus senhores;



É com enorme satisfação que saúdo os participantes nesta primeira edição da Bienal de Luanda - Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz, promovida pelo Governo angolano em estreita colaboração com a União Africana e a UNESCO.



Saúdo em particular todos os países e entidades que aceitaram o nosso convite e enviaram os seus representantes para juntos celebrarmos este evento de grande projecção para todo o continente.



Sejam todos bem-vindos a Angola, o povo angolano recebe-vos de braços abertos e com um sentimento profundo de amizade, de irmandade e de solidariedade.



A Bienal de Luanda é um espaço privilegiado para se promover a diversidade cultural e a unidade africana e para um intercâmbio fecundo entre todos os que se dedicam a cultivar uma cultura de paz e não-violência.



Trata-se, de facto, de uma plataforma única para os governos, a sociedade civil, a comunidade artística e científica, o sector privado e as organizações internacionais, debaterem e definirem estratégias sobre a prevenção da violência e dos conflitos em África e sobre a construção de uma paz duradoura.



A presença de jovens angolanos e de jovens provenientes de todos os cantos de África e das várias diásporas africanas é uma garantia de que muitas ideias inovadoras surgirão dos vários debates e das trocas culturais e desportivas programadas.



Como refere o tema principal da Bienal – “Construir e preservar a paz: um movimento de vários actores” – esse é um processo inclusivo e que exige a participação consciente de todos os que, dentro e fora de África, se preocupam com as questões candentes que urge resolver.



Convém dar especial ênfase à promoção da cultura, da educação e da investigação científica e ao papel que podem desempenhar as organizações da juventude e de mulheres e os meios de comunicação tradicionais e digitais, na prevenção de conflitos e na promoção de uma cultura de paz.



Importa encontrar soluções sustentáveis para muitos dos graves problemas que a África ainda vive, como a fome, a miséria, as doenças, o analfabetismo, as desigualdades sociais, o desemprego galopante, que fomentam o tribalismo e a xenofobia dividindo os africanos, o que atrasa o harmonioso desenvolvimento dos nossos países e o bem-estar das suas populações.



Um fórum dedicado à cultura da paz implica a reflexão e o intercâmbio de ideias das cabeças pensantes e criativas do nosso continente, responsáveis por acções de empreendedorismo e de inovação.



As várias disciplinas artísticas que vão ser apresentadas nesta Bienal são a expressão da criatividade dos artistas africanos e podem contribuir não só para a reafirmação de uma africanidade global, mas para a promoção de valores culturais genuinamente africanos e favoráveis à paz.



Neste mundo globalizado em que devemos tirar o maior proveito do que melhor se produz e pratica no campo da cultura, da educação, da ciência, da tecnologia e da investigação, devemos preservar e ter a capacidade de fazer coabitar a nossa história, a nossa cultura e tradições africanas, com aquilo que todos os dias recebemos da cultura de outros continentes e povos, por intermédio dos diferentes medias.



Os meios de comunicação tradicionais e digitais têm também um papel de grande importância na difusão e valorização das nossas realizações. A crescente importância das redes sociais no seio da juventude deve ser aproveitada sobretudo para o reforço da cultura da paz e da não-violência.



Exemplos recentes em vários países têm demonstrado o perigo que essas mesmas redes sociais representam, quando utilizadas para desinformar e adulterar a realidade dos factos, com o objetivo de criar convulsões sociais como meio de pressão para a remoção do poder de governos legítima e democraticamente eleitos pela maioria dos cidadãos eleitores.



É importante que esta Bienal sirva igualmente para atrair parceiros, designadamente empresas do sector público e privado, fundações e organizações filantrópicas, governos, bancos de desenvolvimento, organizações internacionais, comunidades económicas regionais e comunidades linguísticas, entre outros, dispostos a contribuir com fundos e recursos para a cultura da paz em África e nas várias diásporas africanas.



Prezados participantes;



Minhas senhoras, meus Senhores;



Uma das grandes tarefas reservadas às lideranças políticas do continente e aos diferentes actores da sociedade civil tem a ver com os objectivos da União Africana na sua agenda para a promoção de uma cultura de paz e não-violência, denominada «Silenciar as armas até 2020». 



Este objetivo é aparentemente difícil de atingir, mas o legado que nos foi deixado pelos grandes líderes do nosso continente, que ergueram bem alto a bandeira do pan-africanismo e se bateram por todos os meios para a libertação total de África do colonialismo e de outras formas de dominação, constitui uma fonte de inspiração para os esforços que juntos temos de empreender para pôr termo definitivo aos conflitos que lamentavelmente persistem no continente, desde o Sahel à África do Oeste, à África Central e dos Grandes Lagos e ao Corno de África.



A Bienal de Luanda – Fórum Pan-africano para a Cultura de Paz, representa um passo importante para aprofundarmos o nosso conhecimento das diferentes realidades africanas, para reafirmarmos a nossa identidade no plano político, cultural e artístico, e para uma troca fecunda de ideias que concorram para o progresso e o desenvolvimento de África.



Só com paz podemos realmente implementar a zona de livre comércio africana, só com paz o continente pode atrair investimento privado estrangeiro e se industrializar, passando a acrescentar valor aos seus principais produtos de exportação.



Reitero os meus votos de boas-vindas e espero que possam usufruir da hospitalidade do povo angolano durante a vossa curta estadia no nosso país.



Declaro aberta a primeira edição da Bienal de Luanda – Fórum Pan-africano para a Cultura da Paz.



Muito Obrigado!



 



 



 



 



 



 


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