Governo Provincial da Lunda-Norte

Cultura

  1. HISTÓRIA DA CULTURA

     

    À semelhança de outras regiões do país, o espaço territorial da Lunda-Norte é partilhado por vários grupos etnolinguísticos, a saber: Os Cokwe, Lunda, Kakhongo ou Bandinga, Baluba, Musuku, Bondo-bangala, Khogi, khari, Xinje, Matapa, Bena-May, Kakhete, e Songo, respectivamente.

    Os citados povos da Lunda são executores da arte, com destaque para a siderurgia, escultura, artesanato, tecelagem e mesmo na construção de habitação.

    Em relação à dança, apoiados por uma variedade de batuques, xilofones e idiofones, os povos da Lunda praticam e com grande mestria as suas danças, como sendo akixi e cianda, ulengo, makopo, cisela, diximbi, kundula-ve, canga, entre outras. Praticadas para o entretenimento ou em cerimónias rituais, intervêm também mascarados akixi e aqui o destaque vai para o cikuza (patrono da mukanda), cikungu (ligada as cerimonias de investidura dos grandes chefes tradicionais), mwana-Phwo (máscara que representa a beleza e o encanto das mulheres cokwe) cihongo (que representa a coreografia tradicional cokwe) e katoyo (representante das danças recreativas).

    Em relação à cultura imaterial os povos da Lunda, independentemente de cultuarem os seus ancestrais, reconhecem a existência de Deus (zambi) o criador do universo. A literatura oral está recheada de contos, riquíssimas canções e provérbios (ikuma), com finalidades educativas, profiláticas e judiciosas.

    Para o seu sustento os povos da Lunda praticam actividades como a caça, a pesca, a agricultura familiar e em pequena escala a pastorícia. Por outro lado, para o alargamento da economia familiar domesticam animais de pequeno porte.

    I. Cultura

    No domínio da dança, os povos da Lunda-Norte tendo em conta a dinâmica da própria cultura, usam a dança para fins recreativos usuais. Recreativos quando se trata de gestos populares e de outros tipo e rituais, em ocasiões da iniciação masculina e feminina, cerimónias fúnebres ou quando se trata de rituais de cura. Em função da natureza de cada acto, assim também se diferenciam as canções e os seus praticantes.

    Apesar da existência dos grupos de dança tradicionais, a juventude e a sociedade civil de uma forma geral, têm garantido a continuidade dos aspectos ligados à tradição, criando grupos de dança tradicional e moderna.

    O grupo de dança Mwana Phwo, uma verdadeira escola de dança, é um exemplo a reter, entre outros.

    Em relação à música tocada com instrumentos convencionais, os grupos Mimbo, banda Chitotolo, Cokwe-Lunda, Sassa-Cokwe são os que mais produzem. Entretanto, a questão dos equipamentos musicais e sonoros tem criado alguns constrangimentos. A par destes grupos, a Província conta com um número considerável de trovadores, e como é de se esperar os instrumentistas tradicionais são uma existência obrigatória.

    O artesanato da Lunda é conhecido além fronteiras, pois, as recolhas e os estudos realizados desde 1936 pelo Museu do Dundo e entidades particulares, estão recheados de informações cuja realidade se comprova nos nossos dias. Assim, obras de escultura, olaria, tecelagem, cestaria e de metais, com destaque para lutengo (forno de fundição e tratamento do ferro), fazem parte da indústria manufactureira da região.

    Quanto à literatura devemos destacar a existência da Brigada Jovem de Literatura que tem ramificações em algumas escolas da Província. O seu trabalho ainda não é notório em termos de publicações. Entretanto, já possui uma colectânea de poemas editada e publicação em 2004 ( Beijos Molhados em Lendas Tradicionais).

    A província conta com uma biblioteca pública de grande dimensão, com o acervo de cerca de dez mil volumes de várias disciplinas. A criação de bibliotecas municipais e escolares será doravante uma das questões a ser trabalhada nesse domínio do saber.

    O Museu do Dundo, uma das maiores instituições científico-culturais do país, é um complexo multidisciplinar e polivalente. O seu acervo é constituído de colecções etnográficas, biológicas e arqueológicas. Para assegurar a continuidade da reprodução dos bens materiais e espirituais dos povos da Lunda, conta com um espaço para aldeia museu, que deve ser reanimado. A sua actividade de investigação é apoiada por uma biblioteca privativa recheada de livros, revistas, catálogos e publicações. Reinaugurado recentemente, o Museu do Dundo no cumprimento da sua função científica e social cobre uma extensão de quatro Províncias a saber: Lunda-Norte, Lunda-Sul, Moxico e Kwando-Kubango.

    II. Grupos Etnolinguísticos

    • População (usos e costumes)

    A Província da Lunda-Norte é por excelência, um celeiro de variados grupos que constituem o mosaico etnolinguístico que a habita. Entretanto, apesar de relativas diferenças culturais, aliás, peculiar à qualquer realidade similar, convivem harmoniosamente seguindo cada grupo a sua realidade histórico-cultural. Desses temos: Cokwe, Lunda (Arund), Baluba, Kakhongo, Matapa, Kamay, Bakwanfia, bakhete, Imbangala, Bondo, Baholo, Basuku, Makhari, Khoji, Songo, Minungo, Paka, Baphende, Akwakimbundo, Ovimbundo, Ngangela, dentre outros.

    III. Arte e Património Cultural

    • Folclore, Figuras históricas, Artesanato e Monumentos e Sítios

    A Lunda-Norte revê-se no seu rico folclore (danças, música e teatro) e são bons executores da arte de produção do artesanato, com destaque para as esculturas de madeira, cestaria diversa e cerâmica (embora em pouca dimensão) e mesmo na construção de habitações típicas tradicionais.

    Os povos desta Província praticam e com grande mestria as seguintes danças: akiski, cianda, cisela, kalukuta, kandowa, makhopo, maringa, kandjendje, e likembe (para os Cokwe), canga, bilumbo e kathakangalala (para os kakongo e matapa), dingumbe, tvulemba, kariangu, kasebu, diximbi e phamba, (para os luba), ku-ndulave (para os Basuku), marimba (para os bondo /Bângala) entre outras, que são praticadas em cerimonias festivas, rituais, recepção de visitantes, entronização de chefes tradicionais e em entretenimento e, apoiadas por uma variedade de instrumentos musicas: batuques, cingunvu, ndjimba, cissanje, muiyemba (xilofones), nas quais intervém também mascarados akishi e aqui o destaque vão para as máscaras: cikunza (patrono da mukanda), cikungu (ligado às cerimonias de investidura dos grandes chefes tradicionais), mwana phowo (que representa a beleza e o encanto das mulheres cokwe), cihongo (que representa a coreografia tradicional cokwe) e katoyo (representante das danças recreativas) entre outras lúdicas ou jocosas dos grupos étnicos que habitam a Província.

    - Povos com uma história pelo contributo e participação no processo de colonização (destacando-se às figuras históricas da região soba Khelendende, último dignitário da resistência portuguesa, soba Kawngula, Ngunza Kawona, entre outros).

    - A Província da Lunda-Norte é meramente potencial na produção do artesanato (esculturas em madeira, cestaria, cadeiras de junco, bordão cerâmica e esteraria). O exemplo disto é a máscara mwana phowo, o pensador (kuku), e o caçador (Ciphinda Ilunga), peças que atraem os turistas. Existe um trabalho de resgate e valorização das escolas culturais de artesanato dos Municípios de Tchitato, Kambulo, Lukapa, Kapenda- Kamulemba e Lubalo antes célebres nesse domínio conheceram um período de dificuldades que necessita de superação.

    IV. Fenómeno Religioso na Província

    • Igrejas Reconhecidas e não-reconhecidas

    A década de oitenta constitui o momento de revolução onde a sociedade angolana vem assistindo ao crescimento de instituições religiosas provenientes de várias partes do mundo (África/RDC, Europa, América/EUA e Ásia/Japão) e ressurgimento de práticas religiosas locais às quais na sua maioria voltadas para os aspectos espirituais e sociais. Observamos uma heterogeneidade no campo religioso que abarca uma diversidade de religiões: animistas, doutrinas cristãs (católica e protestante, metodista, baptistas, anglicanas e pentecostais), sincréticas (messiânicos africanos), não- cristãs (crenças animistas), as religiões orientais, as religiões muçulmanas e as religiões locais originais, que coabitam entre si. São controlados 107 igrejas, das quais 51 reconhecidas e 56 não reconhecidas, que exercem as suas actividades. Na sua maioria se ocupam em actividades religiosas e espirituais, evangelização, estudos bíblicos, cura divina, actividades sociais dentre outras e fortificando a parceria entre Estado-Igrejas. Alguns actos negativos têm sido evidentes no seio de igrejas (seitas), como é o caso da poluição sonora, práticas de curas enganosas, uso insensato de palavra de Deus, feitiçaria embora em menor escala, bem como roubo silencioso; também temos notado práticas positivas de algumas igrejas, como: doações, visitas, sensibilização das populações, dentre outras.

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